Lê Almeida conta que "Amenidades", seu novo disco, "tenta encerrar uma fase"

Lançamento chega também no formato fita cassete

Lê Almeida conta que "Amenidades", seu novo disco, "tenta encerrar uma fase"
João Luiz

Falar de Amenidades, novo disco do músico Lê Almeida, é falar também sobre seus trabalhos futuros - o que é curioso, visto que a obra é formada por faixas que ele produziu inicialmente há algum tempo e ficaram de fora de seus lançamentos. Ou seja, o que está acontecendo agora através das músicas do passado tem tudo a ver com os próximos capítulos de sua história. Confuso? Talvez, mas ele explica.

"Esse disco tenta encerrar uma fase", contou ele ao Monkeybuzz por telefone. Para o músico, o trabalho lançado até agora com a assinatura Lê Almeida era pautado pelas distorções da guitarra, o que deve começar a mudar a partir de agora. "Quero que as coisas novas não sejam tão distorcidas, e que sejam mais experimentais", segundo ele.

Podemos enxergar três argumentos imediatos para a futura novidade. O primeiro é o aprendizado que ele tem tido em outras bandas, como Oruã e Oruara, nas quais o som que faz com sua guitarra já é bem diferente de seu trabalho solo. Como ele conta, Oruã possui "uma guitarra só, o que já torna o som mais limpo, mas tem também teclado, o que diminui a distorção". Já no caso da segunda banda, o lance é uma vibe "mais aberta experimentalmente".

Depois disso, há também seu trabalho à frente do selo Transfusão Noise Records, que gerencia o espaço de shows Escritório, no Rio de Janeiro, o que aumenta os diálogos de Lê com outras bandas que tocam lá. Ao lado disso, veio a vivência que ele teve em São Paulo, quando participou de uma residência do Red Bull Station, que fortaleceu seus laços com nomes diferentes daqueles que estava costumado a ouvir. "Fiquei amigo e passei a fazer som com uma galera de um som mais experimental, e eu achei que eles dialogavam muito comigo trocando ideia sobre música, sendo que eles me achavam muito roqueiro e meus amigos aqui do Rio, quando mostro as coisas deles, acham muito sofisticado", conta ele, "é como se eu estivesse no meio de uma parada que eu não consigo nem identificar muito".

Por fim, há também um diálogo natural também com o que está acontecendo hoje na música Alternativa, que tem abraçado cada vez mais influências do Jazz. "Acho que eu já ouvi todos os Indie Rock que eu queria ouvir até agora, sacou? Acho muito raro ouvir uma parada barulhenta que eu não tenha escutado ainda", diz o músico, "eu comecei a ouvir um outro tipo de som que eu sempre achei difícil, mas hoje em dia eu consigo dar mais atenção a ele. É como você ter os livros que você mais gosta, aí ler algo que não curtia antes e passar a assimilar aquilo. A música Jazz e Experimental sempre foi um negócio muito difícil, acho muito intelectualizado. Hoje em dia, tenho me interessado por esse tipo de música".

Com lançamento também em fita cassete pelo selo Deck, Amenidades deve entrar para a discografia de Lê Almeida como uma obra emblemática que carrega um DNA criativo do músico que veremos evoluído em outros genes em seus próximos lançamentos. Se seu nome já está gravado nessa era de guitarras distorcidas no Brasil e no mundo, fica a curiosidade de como ele - e o próximo período - serão lembrados pelas próximas gerações.

Artista: Lê Almeida

Marcadores: Entrevista, Novo álbum